sábado, 15 de fevereiro de 2014

"O que vem de baixo não me atinge"

"O que vem de baixo não me atinge."

Por Cezar Brites

Embora a frase do título seja repetida muito seguidamente, não é bem assim. Dificilmente encontramos uma "criatura" (para usar um termo da moda) que não se importe com o que vem de baixo. Especialmente se for uma crítica. A gente se importa sim. Podemos até fingir que não, mas importa e muito. Hoje, dividindo um mocaccino de máquina, no Caçula Mix, com um amigo, ele comentou que ficaria muito descontente se tivesse que sujeitar seu trabalho a um crítico que sabidamente produz um trabalho inferior. É verdade, pois a lógica nos leva a crer que somente alguém "superior", com mais conhecimento, titulação maior, possua mais troféus, mais medalhas, enfim, tu entendeu, né, tem o direito de analisar nosso trabalho. O chefe sim, o colega não.

No entanto, vivemos atualmente em um mundo em que todos tem uma opinião sobre tudo, seja ele qualificado ou não para opinar. Porém, será que precisamos ser doutor para ter opinião sobre algo? Dificilmente. Isso quer dizer que estou autorizado para criticar qualquer coisa? Parece que as pessoas em geral pensam que sim. Eu pensava assim. Até o dia em que comecei fazer uma graduação. Lá descobri que quanto mais aprofundava meu estudo sobre algo, menos sabia sobre ele. Assim, passei a ser mais seletivo sobre emitir opiniões. Cheguei a ficar até inseguro para conversar. Pois, sempre pensava "que iria falar alguma besteira". Para vencer essa barreira, comecei a rever todos os meus conceitos até então.

Te peço, meu querido leitor, para fazer uma breve interrupção para citar um pequeno exemplo de mudança radical de ideia que eu tinha. Sempre acreditei que existiam aqueles artistas iluminados que criaram obras autorais. Raciocinei que, embora tivessem se inspirados em outros, possuíam uma obra realmente original. Ledo engano. Hoje, digo, ontem, li o texto "Você não é criativo", de Jader Pires, editor do site Papo de Homem. Fiquei sabendo que até a mais famosa banda de rock nos anos 70, nos EUA,  Led Zeppellin era conhecida como ripoffs (imitadores) de outros artistas. Assim, voltou a minha insegurança de afirmar que existam artistas realmente autorais, originais. Percebeu o que aconteceu? Mais um paradigma que tenho que colocar no lixo.

Voltando ao assunto principal. Sim, o que vem de baixo nos atinge! Mas e o que vem de cima? Bem, sobre esse assunto terei que pesquisas mais um pouco antes emitir uma opinião. Então, até o próximo post.

P.S. (apesar que com a era digital, não há mais necessidades de se usar o subterfúgio do P.S.) Faço um agradecimento público ao Norinaldo que permitiu minha escrita, que tá mais para um andar errante, em seu Blog.

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