domingo, 16 de fevereiro de 2014

O rádio em São Borja: Parte V - RÁDIO BUTUI FM

Texto extraído do livro Memórias Sobre a Imprensa em São Borja, organizado pela Profa. Dra. Cárlida Emerim. (Fotos arquivo pessoal de Íbaro Rodrigues)


Rádio Butuí FM


A história da rádio Butuí FM está intimamente ligada a trajetória pessoal do radialista Íbaro Rodrigues. Quando ainda era vereador, em 1998, encaminhou pedido de concessão de uma rádio comunitária para São Borja. Essa vontade “sempre foi como radialista e não como vereador”, enfatiza Rodrigues. Um ano antes, Rodrigues, foi como narrador à São Paulo, cobrir a Copa São Paulo de Futebol Júnior, em Bragança Paulista, a convite da rádio Caxias AM, de Caxias do Sul. Na época, ele fez amizade com o radialista João Belchior Goulart, que teve o nome em homenagem ao ex-Presidente da República Jango, que era natural de São Borja. “Como eu era samborjense fechou todas. Ele me convidou para conhecer a rádio comunitária da Igreja Católica que ele trabalhava em Bragança Paulista. Fiquei 20 dias lá conhecendo o processo da rádio comunitária” afirma Rodrigues.


Ainda em 2000, enquanto ainda aguardava a liberação da concessão, Rodrigues trabalhava na rádio Cultura AM de São Borja, quando teve uma conversa com o diretor da emissora Roque Auri Andres. De acordo com Rodrigues, “Uma das raras vezes que o Roque foi no estúdio ele veio falar comigo sobre a rádio Continente FM e disse que essa rádio era irregular porque só existia uma rádio liberada para São Borja no Ministério das Comunicações, que é da Associação Cultural União Zona Sul. E eu era o presidente da associação, só que ele não sabia e nem eu sabia que a rádio tinha sido liberada. Depois ele descobriu e veio falar comigo aí eu disse que ele seria o primeiro saber quando eu fosse montar a rádio. Aí eu passei a agilizar o processo”.




Ocorreu um encontro entre vários radialistas e a Anatel e Rodrigues foi um dos sorteados para ter uma reunião com o então Ministro das Comunicações João Pimenta da Veiga Filho no qual aproveitou a oportunidade para informar sobre sua solicitação de concessão de uma rádio comunitária para São Borja. “Eu consegui falar, por cinco minutos, com o Ministro das Comunicações e ele me garantiu que eu ganharia a liberação. Quem fez a liberação na Câmara dos Deputados foi o então secretário Severino Cavalcante e no Senado quem foi a relatora do nosso projeto foi a Emília Fernandes, que é gaúcha. Então tudo isso facilitou” contou Rodrigues. Umas das maiores dificuldades em instalar uma rádio em cidades fronteiriças, como é o caso de São Borja, é a liberação do Conselho de Defesa Nacional por tratar-se de uma área de segurança nacional. Essa liberação veio em 15 de abril de 1999.



O intuito inicial de Rodrigues era fazer uma programação voltada para os jovens. Até mesmo o nome inicial era sugestivo: “Jovem Sul”. Uma outra idéia era fazer uma rádio voltada especificamente para os são-borjenses nativistas, o nome seria “Rádio Angüera”. O locutor Paulo César Ribas Lopes, o Cardeal, que trabalhou no início da rádio lembra que “Íbaro estava indeciso quanto ao nome. Íbaro lembrou do rio Butuí, que passa pela cidade. Ele pesquisou muito e descobriu que significava Rio das Mutucas”. Assim, ficou definido o nome da: Rádio Butuí FM.





Cardeal exerceu papel importante no início das atividades da rádio Butuí FM. Pois ele possuía uma empresa de aluguel de equipamentos de som para eventos. Na época, ele foi pedir emprego na rádio Fronteira FM quando lhe informaram que Rodrigues estava abrindo uma nova rádio na Cidade. Ele conta: “eu fui até a casa do Íbaro e me apresentei, como Cardeal, e que tava a fim de trabalhar na rádio e que já tinha experiência com som. Quatro dias depois ele me ligou e disse que queria falar comigo. Ele me disse que tinha comprado um transmissor só que não tinha mesa de som, microfone, toca CD. Como eu tinha esses equipamentos acabei emprestando a ele e trabalhando na rádio Butuí FM”.



Lopes ainda lembrou que, antes de começar a funcionar a rádio, o prédio precisava de uma boa reforma: “Ajudei na pintura, na colocação de carpete e até subia na antena para ajustar a direção para que outras localidades pudessem sintonizar a rádio”, lembra.




A rádio Butuí FM foi colocada no ar, em caráter experimental, no dia nove de julho de 2001, às 16 horas, com a música “Agenda Rabiscada1”. O primeiro locutor a fazer a comunicação ao vivo foi Íbaro Rodrigues, ainda em caráter experimental. Oficialmente, a rádio foi inaugurada no dia 1º de agosto de 2001, com a voz do locutor Eduardo Belmonte.



Segundo Cardeal, a rádio foi bem aceita no início das atividades sendo ele o primeiro operador de mesa e a primeira voz “no ar” foi a do radialista Nelson Oliveira que tinha gravado a seguinte chamada: “Rádio Butuí FM, São Borja, Rio Grande do Sul. Da terra dos presidentes transmite a Rádio comunitária Butuí FM”.



A rádio Butuí leva ao ar, diariamente, uma programação, com músicas variadas, noticiários e grande participação dos ouvintes através do telefone, cartas, recados e internet. O programa de maior audiência é o “Bricão da Butuí”, que vai ao ar todos os sábados das 12 às 14 horas. O programa consiste em mediar a compra e a venda de artigos usados entre os ouvintes. Durante toda a semana fica disponível um arquivo, na recepção da rádio, para os ouvintes depositarem suas propostas e contatos que serão divulgados no programa. O principal apresentador é Íbaro Rodrigues, ocorrendo, em algumas épocas, um rodízio com outros locutores. A Butuí trabalha, hoje, com cerca de 20 profissionais.



Segundo Rodrigues a rádio Butuí foi a primeira rádio comunitária a transmitir um jogo de futebol internacional, entre River Plate X Grêmio, no estádio Monumental de Nunes, em Buenos Aires. A rádio também fez a cobertura da eliminatória da Copa do Mundo no jogo entre Argentina e Brasil, também em Buenos Aires, no ano que classificou o Brasil para a copa da Alemanha de 2006.












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