sábado, 15 de fevereiro de 2014

Sim, nós já sabíamos!



Sim, nós já sabíamos!

Por Cezar Brites

[este texto faz parte do editorial do jornal Armazém da Cultura, ed. 11, de novembro de 2013]

Uma das capas do Jornal Armazém da Cultura nós dedicamos para justificar porque a Rádio Ipê é legal. Pode parecer incrível que tivemos que usar esse recurso - uma matéria de capa - para explicar o que a lei diz. Mas, o mais incrível é que a matéria foi motivada para rebater as acusações de outro veículo de comunicação, que em suas páginas não se cansou em difamar as rádios webs. O mais grave de tudo é que mesmo com todos os argumentos baseados na lei muitos leitores ainda acreditavam nas difamações. Por quê? Porque o veículo que publicava inverdades tem décadas de existência, assim, possuía uma credibilidade inabalável perante a comunidade.

Esse que é o agravante! Quando, apoiando-se em seu tempo de serviço, um veículo de comunicação usa de subterfúgios para manipular a opinião pública em prol de seus interesses comerciais. Com isso o veículo de comunicação deixa de fazer seu serviço (buscar o máximo de informação sobre o assunto, ouvindo todos os lados envolvidos) e passa a ser apenas um mandalete de seu chefe ou editor. Assim todos saem no prejuízo especialmente a sociedade, pois ela vai acreditar em inverdades e julgar os envolvidos no fato baseados no que leu no jornal.

Em 1992, eu fui vítima de um repórter. Ele me ligou para perguntar sobre um projeto que eu estava envolvido. Na hora eu fiquei perplexo, pois a informação que ele me passava me deixa em maus lençóis, pois eu também era vítima na situação. Assim, pedi para ele me ligar mais tarde, pois disse que eu iria apurar os fatos para poder falar sobre o assunto. Qual minha surpresa que não houve mais ligações e que foi publicado no dia seguinte apenas uma versão. E o repórter (que já era muito experiente, portanto, foi com má motivação que ele escreveu) afirmou que eu me neguei a falar sobre o assunto. Aquilo me custou muito, não em sentido financeiro, mas emocional. Desde então percebi que, às vezes, apenas por capricho, a imprensa pode prejudicar, e muito, a vida de uma pessoa.

Porém, a minha paixão pela comunicação não diminuiu. Só que agora a veja sempre com um pé atrás. Outra situação semelhante aconteceu no ano passado, conforme comecei o texto. No entanto, o Juiz de Direito Guilherme Beltrami, reafirmou o que foi publicado no Jornal Armazém, em detrimento ao que foi noticiado no tal jornal de “credibilidade”. Será que vai haver uma errata (correção que um jornal faz sobre algo que errou). Infelizmente, duvido muito. Afinal, o interesse não é pela verdade, mas pelo poder econômico. Como sempre foi, na história da humanidade. Não seria diferente em um jornal de uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, em que os jovens moradores a chamam de Texas, uma terra sem lei.
Sim, a gente já sabia o que o Juiz diria, afinal, nós pesquisamos a lei antes de publicar sobre o assunto, afinal, acreditamos que é para isso que existimos, fazer um jornalismo ético e sério. Mesmo que a gente pague um preço, muitas vezes, muito caro. Ou demore muito para vir à tona a verdade dos fatos.

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